As novas tecnologias trouxeram muitas mudanças para a vida dos brasileiros. Mais informação, facilidade, novos hábitos e novas oportunidades transformaram também o mercado de trabalho. O campo vem sofrendo com a falta de profissionais capacitados para interagir com as novas tecnologias e métodos de produção, o que traz efeitos negativos sobre a produtividade, a competitividade e o crescimento do país.

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, em 2016, apontou a importância da educação para a consolidação da indústria do futuro no país. No total, 42% das empresas industriais consultadas consideravam que o investimento em novos modelos de educação e em programas de treinamento seria uma das principais medidas para acelerar a adoção de tecnologias digitais.

Esta é uma das sugestões encaminhadas pela CNI aos candidatos à Presidência da República. O objetivo é construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional.

Pesquisas apontam que quem faz curso técnico tem mais chance de ganhar melhor salário

O estudo comparou os rendimentos de trabalhadores que fizeram cursos de educação profissional com aqueles sem esse tipo de formação educacional.

A pesquisa da PUC-Rio revelou que, entre dois indivíduos com a mesma escolaridade, aquele que optou pela educação profissional terá 18% a mais de renda. Além disso, várias carreiras técnicas competem com formações de nível superior em termos salariais.
O estudo considerou aspectos como gênero, idade, cor, escolaridade, região de moradia, setor de atividade e renda per capita familiar.

A conclusão principal é que fazer um curso técnico eleva de forma significativa o rendimento. O aumento médio na renda é de 17,7%, independentemente da instituição escolar.

Para Rafael Lucchesi, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, é necessário incorporar esse tipo de formação no currículo do estudante brasileiro, como forma de melhorar a educação e as chances de mercado profissional desse indivíduo.

“Um pequeno contingente de jovens faz educação técnica junto com a educação regular. Apenas no Brasil menos de 10% dos jovens de 15 a 17 anos que deveriam estar no ensino médio, fazem educação técnica junto com educação regular. Na média dos países desenvolvidos é acima de 50%. Acredito que a experiência deles, a gente deve levar em conta.”

Investimento em educação é chave para a consolidação da indústria do futuro no Brasil

Segundo Rafael Lucchesi o Brasil tem caminhado nessa direção, já que a nova Base Nacional Comum Curricular – BNCC, aprovada em 2017, propõe a inserção de disciplinas mais técnicas no currículo escolar que ajudarão os jovens a se prepararem para o mundo do trabalho. No entanto, além de seguir a nova base curricular, muitas mudanças ainda são necessárias para colocar em prática um novo modelo de educação.

“A primeira mudança a ser feita é melhorar a qualidade da educação. Isso começa por melhorar a gestão da escola, ter maior eficácia da aplicação dos recursos e valorizar a carreira do professor, que é fator fundamental de sucesso do sistema educacional. Depois, a escola tem que estabelecer uma relação que potencialize os jovens a realizarem seu projeto de vida e que facilite o ingresso desses jovens no mercado de trabalho”, afirma.

Oportunidades no mercado de trabalho

A demanda de profissionais com formação em ocupações industriais será de aproximadamente de 13,3 milhões, entre 2018 e 2021, de acordo com levantamento do SENAI. Desse número, mais de 2,1 milhões de trabalhadores precisarão ter formação técnica para ingressar no mercado de trabalho.

A professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília – UnB, Débora Barem, destaca que é necessário acompanhar a multidisciplinaridade trazida pelas inovações tecnológicas. Segundo Débora, a melhor maneira de adaptar os jovens ao novo cenário do mercado de trabalho é integrar teoria e prática, por meio do ensino técnico.

“O curso técnico ajuda o indivíduo a entender que não pode ficar só na teoria. Vai aprender fazer, pegar numa máquina, construir, construir habilidade técnica. São investimentos a curto prazo. Em cinco, dez anos, será possível mudar a realidade do país”, ressalta.

Fontes: Acorda Cidade / Segs.